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O adiamento do pagamento de despesas contraídas pelo Estado, em tempo de alta de juros devido à baixa da nota de crédito (rating) da República, constitui uma sobrecarga incomportável para os anos próximos. Nem sequer, como soe dizer-se, para as gerações futuras. O motivo dessa gestão de tesouraria irresponsável era a convicção de que o poder duraria pouco e, com o tal, havia que folgar e dançar enquanto houvesse dinheiro. Todavia, a permenência no poder trouxe a consequência da necessidade de serem os próprios a pagar a dívida que adiaram para os outros suportarem.
A solução não é manter a política de contrair mais crédito para solver a dívida passada, pois a taxa de juro dos títulos de dívida do Estado a dez anos é, nesta data, em 11-7-2010, de 5,45%, é de tal modo elevada que sequer o crescimento nominal (nem se fala do crescimento real…) da economia do País se pode aproximar. Se o PIB crescer, passada esta fase, a 2% já seria um feito, e a receita do Estado o mesmo. Portanto, no modelo social em vigor cada vez mais frouxo, está o Estado na falência. E, por isso, o Estadop tem de mudar de vida e reduzir a despesa, da mesmo forma que os os portugueses mudaram, ajustanto os compromissos às disponibilidades. Porque, além da ruína financeira, o Estado, perante compromissos crescentes em termos de prestações sociais – aumento do desemprego, rendimento social de inserção, pensões, etc. -, menos dinheiro tem para apoiar a economia que lhe dá a receita com que governa. Assim, se não se puser um travão ao despesismo, a ruína do Estado arrasta a insolvência dos cidadãos.
Ora, o modo de responder a esta discrepância entre aquilo que o povo deseja e aquilo que os seus representantes decidem é a introdução da livre escolha dos representantes, em vez do candidato que cada partido impõe ao eleitor. Ou seja, democracia directa.
* Imagem picada daqui.