Sex., 12 de Março de 2010

Arquivo de July, 2009

Desemprego atinge nível mais elevado numa década, Económico, 31-07-09

Friday, July 31st, 2009

Diário Económico (link):  A taxa de desemprego na zona euro atingiu em Junho os 9,4%, o valor mais elevado desde Junho de 1999, enquanto em Portugal se manteve nos 9,3%, segundo dados hoje divulgados pelo Eurostat. Os números do gabinete oficial de estatísticas da União Europeia (UE) revelam ainda que a taxa de desemprego na UE a 27 também atingiu o nível mais elevado desde Junho de 2005, ao subir para os 8,9%. Tanto na zona euro como na UE a 27 a taxa de desemprego subiu 0,1% relativamente a Maio, existindo actualmente 21,5 milhões de desempregados na união, 14,9 milhões dos quais na zona euro, segundo os cálculos do Eurostat. Comparativamente a Junho de 2008, a taxa de desemprego subiu 1,9% na zona euro (era de 7,5% um ano antes), e dois pontos percentuais na UE a 27 (era de 6,9%), enquanto em Portugal cresceu 1,6% (era de 7,7%). No mês passado, as taxas de desemprego mais elevadas foram registadas em Espanha (18,1%), Letónia (17,2) e Estónia (17), enquanto as mais baixas foram observadas na Holanda (3,3%) e Áustria (4,4).

Volume de negócios no comércio a retalho cai 0,5%, Jornal de Negócios, 29-07-09

Wednesday, July 29th, 2009

Jornal de Negócios (link): O volume de negócios no comércio a retalho caiu 0,5%, em Maio, face a igual período do ano anterior, avançou o Instituto Nacional de Estatística (INE). Segundo a mesma fonte, face ao mês anterior, o volume deslizou 2,7%. A variação negativa do índice agregado “resultou de andamentos contrários dos agrupamentos considerados”. O agrupamento de Produtos não alimentares registou uma variação de -4,8% (-4,6% em Maio) enquanto o comércio de Produtos alimentares apresentou uma taxa de variação de 4,8% (-0,6% no mês anterior), explica o INE. A mesma fonte acrescenta que o emprego e o número de horas trabalhadas corrigidas dos efeitos de calendário apresentaram taxas de variação homóloga negativa de 2,1% e de -3,7%, respectivamente.

Acções do Fundo da Seg. Social desvalorizaram 39%, Diário Digital, 28-07-09

Tuesday, July 28th, 2009

Diário Digital (link): As acções do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS), criado para assegurar a sustentabilidade do sistema de pensões, sofreram uma desvalorização de 39,03% no ano passado, refere o Diário de Notícias desta terça-feira. Em Dezembro, e apesar da evolução negativa, os 1385 milhões de euros em acções representavam 16,6% do valor do FEFSS. Os dados constam de um documento do gabinete do ministro do Trabalho, Vieira da Silva, em resposta a um requerimento assinado por cinco deputados do PSD. Com uma maior exposição a obrigações, o FEFSS valia, no final do ano passado, 8343,32 milhões de euros. Ou seja, de acordo com o jornal, o bom desempenho das obrigações ajudou a evitar maiores perdas no Fundo. Globalmente, a desvalorização foi de 3,73%, revelou no início deste ano Manuel Baganha, presidente do Instituto de Gestão de Fundos de Capitalização da Segurança Social. Por conhecer estava ainda a evolução dos diferentes segmentos que compõem a carteira, explica o DN.

Jean Jacques Rousseau e a recusa da democracia directa

Tuesday, July 28th, 2009

A esquerda em geral, incluindo uma grande parte do partido socialista e uma franja considerável do PSD, constituem uma mesma vergôntea de Rousseau. A noção de “democracia” segundo Rousseau, e de acordo como o “Contrato Social”, apoia-se no conceito de “vontade geral” que não coincide com o conceito de “democracia directa” segundo o qual o Poder é exercido de acordo com o respeito pelas maiorias e pelas minorias, embora nas suas devidas proporções. Toda a construção europeia é também ela uma vergôntea de Rousseau e de Hobbes ― em oposição a Locke e Burke ―, assim como Hitler foi uma vergôntea de Rousseau, enquanto que Churchill e Roosevelt o foram de Locke.

A “vontade geral” de Rousseau não é idêntica à da maioria ou até à da totalidade dos cidadãos. Rousseau entende a “vontade geral” como a vontade do corpo político que se assume arbitrariamente como intérprete da vontade do povo, na medida em que Rousseau considera a sociedade civil como uma pessoa e com atributos de uma personalidade ― tal como Hobbes ― que inclui o atributo da vontade. Segundo Rousseau, a sociedade civil não é (ou não deve ser) um conjunto de indivíduos organizados, mas antes uma pessoa colectiva. Se lermos Locke e principalmente Edmund Burke, vemos a antítese política de Rousseau.

Segundo Rousseau, o que interfere com a expressão da “vontade geral” é a existência de “associações subordinadas” ― ou seja, comunidades da sociedade civil ― dentro do Estado. Segundo Rousseau, cada uma delas quer ter a sua vontade geral, que pode ser oposta à da comunidade como todo. Escreve Rousseau que “pode dizer-se não que há tantos pareceres como homens, mas tantos como associações. (…) É portanto essencial, se a vontade geral pode exprimir-se, que não haja sociedades parciais dentro do Estado, e cada cidadão pense apenas por si; tal é o sublime e único sistema estabelecido pelo grande Licurgo”. Decorre das ideias de Rousseau que, segundo ele e por exemplo, o movimento “Democracia Directa” deveria ser impedido de existir como comunidade da sociedade civil, e que todos os cidadãos deveriam entrar em diálogo directo com o Estado sem nenhuma intermediação comunitária ou associativista.
As consequência práticas ― e se levadas até ao limite delas ― das ideias de Rousseau são as de que o Estado teria que proibir as igrejas ― excepto a igreja do Estado, que no caso português é cada vez mais a Maçonaria ―, proibir partidos políticos, sindicatos e todas as organizações de homens com interesses económicos e/ou políticos semelhantes. O resultado seria obviamente o Estado corporativista e/ou totalitário, em que o cidadão nada pode, isto é, em nome do diálogo directo entre o cidadão, entendido como indivíduo isolado, e o Estado, Rousseau condena assim o cidadão à subordinação impotente inerente ao anonimato total.

O conceito de democracia, segundo Rousseau, tem além do mais, uma outra particularidade: ele baseia-se na democracia da cidade-estado grega, e particularmente na democracia de Esparta em antagonismo com a democracia de Atenas. Porém, Rousseau diz que a democracia directa é de realização impossível porque o povo não pode estar sempre reunido para deliberar sobre os negócios públicos. Escreve Rousseau: “Se o povo fosse composto por deuses, o governo seria democrático. O governo perfeito não é para os homens”. Em consequência, aquilo a que os verdadeiros democratas chamam de “democracia”, Rousseau e os seus herdeiros ideológicos, chamam de “aristocracia electiva”, que ele diz ser o melhor governo mas que não é possível em todos os países: o clima não deve ser nem muito quente nem muito frio; a produção não deve exceder muito o necessário porque senão o demónio do luxo é inevitável; e o melhor é confinar a “aristocracia electiva” ao controlo de uma elite política, do que difundir a democracia na população. Com tais limitações estabelecida por Rousseau para aquilo que ele entende por democracia, há largo campo aberto a um governo despótico.

O Contrato Social foi a bíblia da maioria dos chefes da Revolução Francesa ― incluindo Robespierre que era amigo íntimo de Rousseau ―, mas como é a sorte das bíblias, não foi bem lido e ainda menos compreendido por muitos discípulos: a sua teoria da “vontade geral” tornou possível a identificação mística do chefe com o povo, o que levou ao caudilhismo que não precisa de ser confirmado por coisa tão mundana como a urna de voto. Hegel seguiu Rousseau para formatar a autocracia prussiana que levou à primeira grande guerra. Robespierre reinou segundo os princípios de Rousseau, e segundo este foram também formatados os princípios de afirmação política dos jacobinos. As ditaduras russas e alemã do século passado ― principalmente a última ― foram um rebento de ensino de Rousseau. Quando ouvimos José Sócrates ou Francisco Louçã, prevemos em Portugal os triunfos que o futuro reserva ao seu fantasma.

Teixeira dos Santos não acredita na perda de 200 mil empregos estimada por Constâncio, Negócios, 27-07-09

Monday, July 27th, 2009

Jornal de Negócios (link): “Essa é uma projecção que é feita assumindo que não há reforços de política. É uma extrapolação estática. Uma coisa é certa: temos medidas no terreno”, disse Teixeira dos Santos em reacção à previsão de perda de 200 mil empregos em 2009 e 2010 avançada pelo Banco de Portugal há duas semanas. O ministro, na entrevista concedida esta noite à SIC, enunciou de seguida várias medidas de apoio ao emprego apresentadas pelo Governo. “Não estamos de braços caídos”.
As previsões do Banco de Portugal apontam para recessão este ano e no próximo e uma destruição de 200 mil empregos nos próximos dois anos, avisando que uma recuperação sustentada da economia não acontecerá desde 2011. O Governo recusou-se a apresentar previsões macroeconómicas ou orçamentais para 2010 quando, em Abril, apresentou o relatório de orientação da política orçamental. O ministro diz que o Governo não tem de o fazer, embora a tal fosse obrigado segundo Lei, referiu recentemente a Unidade Técnica de Apoio Orçamental, órgão que apoia o parlamento.

PS mantem silêncio sobre negócio entre Governo e Liscont, Diário Digital, 23-07-09

Thursday, July 23rd, 2009

Diário Digital (link): O PS voltou hoje a ficar em silêncio sobre o negócio entre o Governo e a Liscont/Mota Engil durante a discussão em plenário de duas petições sobre o Terminal de Contentores de Alcântara.
No período de debate das petições, toda a oposição voltou a falar sobre o acordo, renovando as acusações de “falta de transparência” e as críticas ao “negócio escandaloso”. “Aquilo que está em causa é um erro trágico”, alertou o deputado do CDS-PP, António Carlos Monteiro, classificando o negócio como “vergonhoso para o Estado”. Recordando que o Governo entregou a uma empresa privada, sem concurso, a concessão de um serviço fundamental, o deputado social-democrata Luís Rodrigues disse tratar-se de “um negócio escandaloso”, que teve origem num “processo nebuloso”. “É um contrato ruinoso”, corroborou o deputado do PCP Bruno Dias, enquanto a deputada do BE Helena Pinto assinalou o “desrespeito absoluto para com a Assembleia da República” por parte do Governo, que durante meses se recusou a dar informações sobre o negócio. “Trata-se de um contrato péssimo para o interesse do Estado”, acrescentou ainda o deputado do partido ecologista Os Verdes Francisco Madeira Lopes. Pelo PS, a deputada Isabel nada disse sobre o negócio entre o Governo e a Liscont/Mota Engil, falando apenas da importância dos cidadãos puderem fazer “ouvir a sua voz” através das petições.

Compromisso Portugal: Governo falharia metas mesmo sem crise, Diário Digital, 22-07-09

Wednesday, July 22nd, 2009

Diário Digital (link): Quatro anos após o início da legislatura, Portugal não está em melhores condições para enfrentar o futuro e mesmo que não houvesse crise financeira, o Governo continuaria sem conseguir alcançar os seus próprios objectivos, considera o Compromisso Portugal. No avaliação que fazem dos últimos quatro anos de governação socialista, os três lideres do projecto (António Carrapatoso, Joaquim Goês e Rui Ramos) «chumbam» o Governo de José Sócrates, considerando que este, «apesar do seu ímpeto reformista inicial», não terá feito «muito melhor» que os antecessores. «É improvável que este Governo tenha deixado na História do país uma marca à altura da situação preocupante em que vivemos. Dificilmente se poderá dizer que o país está agora em melhores condições de vencer os desafios futuros do que estava no início de 2005», consideram. Na última avaliação à acção governativa deste projecto, realizado com base nas próprias metas anunciadas pelo Governo, o Compromisso Portugal sublinha que “esses objectivos não teriam sido atingidos mesmo sem a crise internacional do último trimestre [de 2008] (…) tendo em conta a evolução e tendência até 2008″.

Portugal no pós-crise terá "duas pesadas mochilas às costas", Negócios, 21-07-09

Tuesday, July 21st, 2009

Negócios (link): Portugal vai entrar na fase do pós-crise com “duas pesadas mochilas às costas, a dívida pública e a dívida externa”, advertiu o antigo ministro da Economia, Mira Amaral, na apresentação hoje em Lisboa de um plano estratégico para o sector da cerâmica. Nessa situação, seja qual for o governo resultante das próximas legislativas terá de apostar na produção de “bens transacionáveis”, considerou Mira Amaral destacando as dificuldades de financiamento externo resultantes da “rarefacção de meios financeiros” resultante da crise. “Portugal tem um nível de despesa pública muito elevado, agravado pela redução da receita fiscal”, alegou, ao acrescentar que a o país revela um “despesa fixa muito grande e não tem uma receita fixa suficiente”.

Sócrates devia ter "vergonha" das promessas que não cumpriu, Económico, 20-07-09

Sunday, July 19th, 2009

Económico (link):  presidente do PSD criticou hoje as novas promessas de apoio social anunciadas por José Sócrates. “Pois não só não tem vergonha como ainda por cima agora anuncia outras tantas promessas para depois não cumprir caso ganhe as eleições”, afirmou Manuela Ferreira Leite, que falava no decorrer na Festa de Verão do PSD de Vila Real. A líder social-democrata reagia assim ao anuncio feito ontem por José Sócrates, na qualidade de secretário-geral do PS, de que o programa eleitoral do seu partido vai incluir um novo subsídio para as famílias abaixo do limiar da pobreza e o reforço da rede de cuidados continuados. “Pois ainda o Governo não acabou esta legislatura e já está neste momento a fazer promessas e mais promessas para o próximo Governo, caso o engenheiro Sócrates ganhe as eleições”, salientou Ferreira Leite, citada pela Lusa. “Eu apenas me limito a pensar naquilo que ele disse antes das eleições e que nada fez. Porque é que eu neste momento hei-de acreditar naquilo que ele está a prometer para depois”, acrescentou.

Germany may well be asked to bail out a bankrupt Ireland, Greece, Spain, Portugal, Italy and France, The Standard, 20-07-09

Sunday, July 19th, 2009

The Standard (link): Approximately 59 tonnes of gold bars and coins were sold to retail investors in Germany during the first quarter of this year. These gold sales exceeded the same-period level of the previous year four times. For whatever reason, the Germans lately hold the absolute leadership when it comes to purchasing gold bullion. For comparison, the French bought only 1.1 tonnes of gold during the same period. On the back of such solid demand for gold investment, fully automatic gold vending machines, the size of a phonebooth and shaped as a gold bar, have even been set up recently in German railway stations. So, with German citizens suddenly buying about 55 times more gold than the citizens of their direct neighbor and second largest economy in Europe, France, we should probably wonder, whether (A) the Germans have gone crazy or (B) they may know something that others don’t. It turns out that Germans are simply buying gold because they aim to rescue their savings by converting funds on their bank accounts to gold bars, after it has been admitted by the German banking regulator BaFin that the country’s financial system was only minutes away from total collapse last autumn. More recently, the German finance minister announced that the country would record its biggest post-war budget deficit this year as the economic crisis is sending tax revenues plummeting – with no improvement in sight. In fact, the Germans are scared not only about their own governments’ ballooning budget deficit, but also about those of other euro zone members too. Germany may well be asked to bail out a bankrupt Ireland, Greece, Spain, Portugal, Italy and France. (Yes, France is bankrupt too, according to the country’s premier Francois Fillon who stated back in October, 2007: “The truth is that I am the head of a state that is in a state of bankruptcy.”) And then, Germany may be asked to bail out Eastern Europe too, not least to save euro zone member Austria, which has an exposure of 70 percent of its GDP to the collapsing region. What unsustainable national debt and budget deficits – like the ones we are seeing now in a number of European countries as well as the United States – can lead to in a worst case scenario, was actually classically experienced before in form of hyperinflation by one major Western European country in 1919-1924, and this country was Germany. Very possibly, this may be the reason then why the Germans are piling up on gold now, as they are starting to expect a possible repeat of history. Fortunately, Hong Kong and China do have a very low national debt, which is one of the reasons why it looks unlikely that such a fate would meet us around here. But, the danger of rising inflation, perhaps very rapidly rising inflation globally is still very real as inflation can be imported from the less healthy economies to the healthy ones, such as via competitive currency devaluations. So, following the German example, and having a good exposure to precious metals in an investment portfolio should be a must for financial crisis and inflation protection, even for Hong Kong investors. After all, the Hong Kong dollar is still linked directly to the greenback for now. When piling up one’s crisis nest egg accordingly, it should be considered to complement positions in gold with other precious metals, especially silver. Silver, although more volatile than gold, is considered by many analysts to be the most greatly undervalued metal of all. Next to being a crisis safe haven, it also has vastly varied uses in many promising growth industries. Mind you though, there is 78 times more “paper-gold” being held by investors than physical gold in existence on this planet that has ever been mined, according to the World Gold Council. (A similar number is considered likely to apply for silver too). Therefore, investors should stay clear of buying paper-metal accounts from banks which typically are not backed by any physical metal at all and are therefore subject to default risk. Instead, one should make sure that any precious metals investment vehicle used does actually store the metals in a fully unencumbered, “uneased” and physical form.