Qui., 11 de Março de 2010

Arquivo de November, 2009

A prevalência do direito à informação sobre o direito à honra

Saturday, November 28th, 2009


Imagem picada daqui

Quando alguém erra, deve emendar- e se não souber, deve ser chamado à atenção, para que possa corrigir e reparar o erro cometido. Nos media se resolve, o que nos media se cria.

O erro é o risco da liberdade – a alternativa é o autoritarismo e a prevalência do abuso e da corrupção. A legitimidade de recurso ao tribunal, que o novo paradigma social cria – além dos códigos que absolutizam o direito à honra (como se vivessem ainda num tempo idílico de honestidade integral) e a eficácia absoluta das polícias tribunais e rigor do Estado no julgamento dos crimes e dos processos – vale para os casos em que o autor de uma informação falsa se recusa a corrigi-la.

E a punição em tribunal das sociedades desenvolvidas (como é o caso da norte-americana e, cada vez mais, do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem), que preservam, em tempo útil (e não 20 anos depois…) a sociedade dos abusos e removem os prevaricadores dos cargos de que não são donos (mas apenas representantes com mandatos definidos) – há-de ser a da doutrina da actual malice (a malícia efectiva – o dolo) com prova a cargo do queixoso.

No actual sistema político de democracia representativa degenerada – por degeneração e abuso dos representantes! – a prestação de contas e o escrutínio político são fundamentais para a eficácia social e a moralidade política, a subsistência do Estado. Sem liberdade de informação e de opinião, não há democracia. Os tribunais têm de garantir o que a política autoritária furta: a liberdade de expressão.

O défice democrático da democracia representativa

Friday, November 27th, 2009

A situação a que assistimos hoje ― a de um país em tribunal, literalmente ― com a corrupção que campeia a todos os níveis, seria concerteza menos grave se vivessemos em uma cultura de democracia directa, não só dentro dos partidos políticos como num ambiente político que encarasse o referendo com naturalidade. Isto significa que a democracia representativa entendida no sentido da discrecionariedade da vontade do corpo político eleito segundo os princípios da “vontade geral” de Rousseau, essa democracia representativa não só está moribunda como está a conduzir a nossa sociedade para o prenúncio de um novo tipo de totalitarismo.

Não é possível uma meritocracia sem a democracia directa praticada dentro dos partidos políticos e com o recurso ao referendo em questões que dividam a sociedade. E estas questões podem ser tão simples como a que existe agora na Suíça, em que se leva a efeito um referendo que pretende saber se o povo aprova a construção de minaretes islâmicos por todo o país. Coisas aparentemente tão simples como esta podem e devem ser sujeitas a referendo.

O preconceito da nossa classe política em relação ao referendo está directamente ligado ao preconceito salazarista do “povo que é ignorante e deve continuar a sê-lo”, e à ideia segundo a qual quanto mais ignorante é povo mais esclarecida é a classe política ― estabelecendo uma relação de causa-efeito entre as duas realidades.

Partindo do princípio preconceituoso da ignorância, da inépcia e do défice de juízo por parte do povo, a classe política ― o “corpo político” segundo Rousseau ― da democracia representativa serve-se de uma pretensa legitimidade do voto do povo para, muitas vezes, transformar esse voto em uma licença para contrariar os anseios mais profundos da maioria que votou.

As penas depenadas

Thursday, November 26th, 2009

Cantanhede: Operário fabril condenado a oito anos de cadeia

Rapta e viola menina

Quando ia a caminho da escola, uma menina de oito anos foi raptada, enfiada na bagageira de um automóvel e violada num local ermo por um pedófilo, que o Tribunal de Cantanhede decidiu condenar terça-feira a oito anos de cadeia.

O violador, Jaime Fernandes, 30 anos, foi condenado a quatro anos de prisão pelo crime de rapto e a seis anos e seis meses pelo crime de violação de ‘Anabela’ (nome fictício) – mas, em cúmulo jurídico, o colectivo de juízes decidiu estabelecer uma pena única de oito anos de cadeia. O operário fabril, solteiro, foi ainda condenado a pagar uma indemnização de 20 mil euros à vítima e de 2500 euros aos pais.

O Tribunal de Cantanhede destacou ainda o facto de o pedófilo já andar há algum tempo a vigiar a menina, com o intuito de a atacar, antes de cometer os crimes a 6 de Novembro de 2008. Nesse dia, Jaime Fernandes abordou a criança de oito anos para “satisfazer os seus instintos libidinosos” quando ela se deslocava a pé para a escola.

Perante a resistência de ‘Anabela’, concluiu o colectivo de juízes, o operário fabril “meteu-a dentro da bagageira do seu carro” e levou-a para um sítio ermo, onde a despiu “e ordenou-lhe que se deitasse”.

De seguida, “despiu as suas calças, deitou-se em cima da vítima” e beijou-a na boca enquanto “friccionava a vagina da criança com os dedos”, lê-se no acórdão do tribunal. Depois de consumar a violação, Jaime Fernandes foi deixar ‘Anabela’ na mesma estrada onde a tinha raptado, no caminho da escola, dando-lhe cinco euros e um rebuçado “para não contar nada a ninguém” o que acontecera.

Para os pais da menina, a pena para o violador é pequena. “O tribunal devia ter uma mão mais pesada para estes casos”, salientou o pai da vítima à saída do Tribunal de Cantanhede. Na altura o caso causou alarme social em Cantanhede, ao ponto de alguns pais terem passado a levar os filhos à escola.

PORMENORES

PROFESSOR

Depois de ser largada pelo agressor, ‘Anabela’ correu para casa mas não estava lá ninguém. Foi depois para a escola e contou o sucedido a um professor, que denunciou o caso à GNR. A PJ entrou em campo e 11 horas depois deteve o operário fabril.

PROVAS

A descrição pormenorizada do suspeito e do carro que usou, feita pela vítima, permitiu aos investigadores da Polícia Judiciária fazerem a detenção. O arguido não tinha antecedentes criminais e antes de estar preso vivia em união de facto com uma mulher. Não tem filhos.

FILMES

O arguido, que assumiu o crime quando foi detido, revelou às autoridades policiais ser apreciador de filmes que tivessem crianças como protagonistas. O advogado de defesa referiu que vai analisar o acórdão e só depois decide se vai ou não recorrer.

No Correio da Manhã

COMENTÁRIO: Que justiça! Cúmulo jurídico? Que treta de penas. Que leis! Quem merecia outro castigo eram esses Srs. que aprovam estas parvoíces no Parlamento. Se fosse filha minha não ficava assim…

Referendo sobre os casamentos homossexuais – ocasião de democracia directa

Monday, November 23rd, 2009

A vantagem da democracia directa sobre a soberania dos representantes é evidente na questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em vez da consulta popular nesta questão cultural sensível, pois modificará a instituição do casamento, prefere-se a via parlamentar.

Uma recente (Outubro-Novembro de 2009) sondagem da Eurosondagem indica que existe uma maioria de portugueses que não concorda com a mudança da lei para que esta passe a consentir os casamentos homossexuais (49,5% contra 45%), e não apenas como uniões de facto, regime jurídico em vigor – um valor que, sobre a adopção de crianças por casais homossexuais cresce para 68,4% contra 21,7%). O facto de haver uma minoria que defende o casamento homossexual (com esse nome, pois já existe o regime legal da união de facto, que também aproveita às uniões homossexuais) deveria levar ao debate do assunto, em vez da lei súbita, e à marcação de um posterior referendo.

A questão é ainda mais importante porque associada está a adopção de crianças por casais homossexuais, que não precisará de lei para se aplicar, tendo em conta a imediata invocação de discriminação, caso isso sucedesse.

A democracia representativa está no seu estertor, mas mesmo assim procura resistir. Ingloriamente, pois o futuro está na democracia directa.

Maine voters latest to turn down gay marriage, Reuters, 4-11-09

Wednesday, November 4th, 2009

Reuters (link): PORTLAND, Maine (Reuters) – Voters in Maine on Tuesday overturned a law allowing same-sex couples to wed, dealing a fresh setback to the U.S. gay marriage movement in a race that attracted national attention. The law was approved by Maine’s Legislature in May but was not implemented after opponents gathered enough signatures to put the issue to a “people’s veto.” With 87 percent of precincts reporting, votes to reject the law were running at 52.75 percent to 47.25 percent, according to unofficial tallies from the Bangor Daily News.