A desconfiança dos mercados financeiros face ao Governo português

Apesar da tecnologia, a tentativa de controlo político da informação, e da simples expressão dos cidadãos, mantém-se.
Porém, os Governos não controlam toda a informação e, mais ainda, escapa-lhes, cada vez mais, o domínio de organizações independentes, que se pronunciam, por exemplo, sobre as contas públicas – como as agências de rating, que classificam o risco de crédito das empresas e dos Estados.
E, para além das agências de rating, e das instituições não-governamentais internacionais, existem… os mercados, onde o valor da taxa de juro das obrigações do tesouro de um país dependem do valor a que os compradores as querem comprar e do valor a que os vendedores as querem vender - e o risco da dívida também medido atravésa da transação livre dos chamados CDS (credit default swaps). A variação do valor da taxa de juro das obrigações do tesouro a 10 anos (Ten Year Government Bond Spreads), que se pode utilizar para conhecer a taxa de juro da dívida pública de um país (nomeadamente, Portugal) – e a avaliação, em linha, dos mercados internacionais sobre o risco da dívida portuguesa - pode ser consultada no sítio do Financial Times (com 20 minutos de atraso): Financial Times – Bonds & Rates.
A taxa de juro das obrigações do tesouro portuguesas a 10 anos, era às 11:08 de 3-2-2010: 4,52%. Essa taxa está a subir, hora a hora, pela desconfiança dos mercados face ao cumprimento da dívida pública pelo Governo português, e compromete depois o valor da taxa de juro dos financiamentos internacionais dos bancos portugueses, das empresas e dos particulares.
Ora, como a análise que as agências, organizações internacionais e os mercados fazem das contas públicas não é dominável pelos governos, da forma como controlam os media, convém que os governos não se mantenham a fraude estatística da desorçamentação e da contabilidade criativa. Quando o fazem, as instituições referidas não só expõem a verdade escondida pelos governos, como ainda passam a desconfiar das contas e promessas que estes fazem. A descredibilização é fácil, mas a recuperação da credibilidade muito difícil e demorada.
