Sex., 12 de Março de 2010

Arquivo da categoria ‘Justiça e Cidadania’

O circuito fechado da democracia representativa exclusivista

Tuesday, February 9th, 2010

Os acontecimentos recentes relatados na imprensa sobre o provável envolvimento directo do primeiro-ministro em manobras de concentração manipuladora de órgãos da comunicação social, vêm dar razão ― se é que ainda restavam dúvidas ― a quem defende a instauração de mecanismos de democracia directa.

Desde logo porque a existência desses mecanismos de democracia directa seriam um meio de dissuasão política para eventuais atentados ao Estado de Direito a que assistimos; e depois porque esses mecanismos da democracia directa teriam a virtualidade de eliminar os resquícios culturais e políticos herdados dos totalitarismos do século XX, segundo os quais o líder político à frente do Estado é ― sempre e a todo o momento ― o resultado do acordo entre a vontade objectiva do povo e a convicção subjectiva de cada um dos membros do povo.

As eleições periódicas para o Poder representativo transformam-se, assim, numa espécie de plebiscito recorrente que é uma profissão de fé a favor de um líder (ou de uma liderança política elitista, colectiva e/ou ideológica), e não a manifestação de uma vontade própria.

Estes vícios de forma do actual Estado de Direito alimentam-se a si próprios, em circuito fechado, distanciando o cidadão das decisões que o afectam no dia-a-dia, e constituindo-se como uma tentação sistemática da liderança política para violar as regras do Estado de Direito que se invoca precisamente para se estabelecer a impunidade jurídica de quem as viola.

O défice democrático da democracia representativa

Friday, November 27th, 2009

A situação a que assistimos hoje ― a de um país em tribunal, literalmente ― com a corrupção que campeia a todos os níveis, seria concerteza menos grave se vivessemos em uma cultura de democracia directa, não só dentro dos partidos políticos como num ambiente político que encarasse o referendo com naturalidade. Isto significa que a democracia representativa entendida no sentido da discrecionariedade da vontade do corpo político eleito segundo os princípios da “vontade geral” de Rousseau, essa democracia representativa não só está moribunda como está a conduzir a nossa sociedade para o prenúncio de um novo tipo de totalitarismo.

Não é possível uma meritocracia sem a democracia directa praticada dentro dos partidos políticos e com o recurso ao referendo em questões que dividam a sociedade. E estas questões podem ser tão simples como a que existe agora na Suíça, em que se leva a efeito um referendo que pretende saber se o povo aprova a construção de minaretes islâmicos por todo o país. Coisas aparentemente tão simples como esta podem e devem ser sujeitas a referendo.

O preconceito da nossa classe política em relação ao referendo está directamente ligado ao preconceito salazarista do “povo que é ignorante e deve continuar a sê-lo”, e à ideia segundo a qual quanto mais ignorante é povo mais esclarecida é a classe política ― estabelecendo uma relação de causa-efeito entre as duas realidades.

Partindo do princípio preconceituoso da ignorância, da inépcia e do défice de juízo por parte do povo, a classe política ― o “corpo político” segundo Rousseau ― da democracia representativa serve-se de uma pretensa legitimidade do voto do povo para, muitas vezes, transformar esse voto em uma licença para contrariar os anseios mais profundos da maioria que votou.

As penas depenadas

Thursday, November 26th, 2009

Cantanhede: Operário fabril condenado a oito anos de cadeia

Rapta e viola menina

Quando ia a caminho da escola, uma menina de oito anos foi raptada, enfiada na bagageira de um automóvel e violada num local ermo por um pedófilo, que o Tribunal de Cantanhede decidiu condenar terça-feira a oito anos de cadeia.

O violador, Jaime Fernandes, 30 anos, foi condenado a quatro anos de prisão pelo crime de rapto e a seis anos e seis meses pelo crime de violação de ‘Anabela’ (nome fictício) – mas, em cúmulo jurídico, o colectivo de juízes decidiu estabelecer uma pena única de oito anos de cadeia. O operário fabril, solteiro, foi ainda condenado a pagar uma indemnização de 20 mil euros à vítima e de 2500 euros aos pais.

O Tribunal de Cantanhede destacou ainda o facto de o pedófilo já andar há algum tempo a vigiar a menina, com o intuito de a atacar, antes de cometer os crimes a 6 de Novembro de 2008. Nesse dia, Jaime Fernandes abordou a criança de oito anos para “satisfazer os seus instintos libidinosos” quando ela se deslocava a pé para a escola.

Perante a resistência de ‘Anabela’, concluiu o colectivo de juízes, o operário fabril “meteu-a dentro da bagageira do seu carro” e levou-a para um sítio ermo, onde a despiu “e ordenou-lhe que se deitasse”.

De seguida, “despiu as suas calças, deitou-se em cima da vítima” e beijou-a na boca enquanto “friccionava a vagina da criança com os dedos”, lê-se no acórdão do tribunal. Depois de consumar a violação, Jaime Fernandes foi deixar ‘Anabela’ na mesma estrada onde a tinha raptado, no caminho da escola, dando-lhe cinco euros e um rebuçado “para não contar nada a ninguém” o que acontecera.

Para os pais da menina, a pena para o violador é pequena. “O tribunal devia ter uma mão mais pesada para estes casos”, salientou o pai da vítima à saída do Tribunal de Cantanhede. Na altura o caso causou alarme social em Cantanhede, ao ponto de alguns pais terem passado a levar os filhos à escola.

PORMENORES

PROFESSOR

Depois de ser largada pelo agressor, ‘Anabela’ correu para casa mas não estava lá ninguém. Foi depois para a escola e contou o sucedido a um professor, que denunciou o caso à GNR. A PJ entrou em campo e 11 horas depois deteve o operário fabril.

PROVAS

A descrição pormenorizada do suspeito e do carro que usou, feita pela vítima, permitiu aos investigadores da Polícia Judiciária fazerem a detenção. O arguido não tinha antecedentes criminais e antes de estar preso vivia em união de facto com uma mulher. Não tem filhos.

FILMES

O arguido, que assumiu o crime quando foi detido, revelou às autoridades policiais ser apreciador de filmes que tivessem crianças como protagonistas. O advogado de defesa referiu que vai analisar o acórdão e só depois decide se vai ou não recorrer.

No Correio da Manhã

COMENTÁRIO: Que justiça! Cúmulo jurídico? Que treta de penas. Que leis! Quem merecia outro castigo eram esses Srs. que aprovam estas parvoíces no Parlamento. Se fosse filha minha não ficava assim…

Jean Jacques Rousseau e a recusa da democracia directa

Tuesday, July 28th, 2009

A esquerda em geral, incluindo uma grande parte do partido socialista e uma franja considerável do PSD, constituem uma mesma vergôntea de Rousseau. A noção de “democracia” segundo Rousseau, e de acordo como o “Contrato Social”, apoia-se no conceito de “vontade geral” que não coincide com o conceito de “democracia directa” segundo o qual o Poder é exercido de acordo com o respeito pelas maiorias e pelas minorias, embora nas suas devidas proporções. Toda a construção europeia é também ela uma vergôntea de Rousseau e de Hobbes ― em oposição a Locke e Burke ―, assim como Hitler foi uma vergôntea de Rousseau, enquanto que Churchill e Roosevelt o foram de Locke.

A “vontade geral” de Rousseau não é idêntica à da maioria ou até à da totalidade dos cidadãos. Rousseau entende a “vontade geral” como a vontade do corpo político que se assume arbitrariamente como intérprete da vontade do povo, na medida em que Rousseau considera a sociedade civil como uma pessoa e com atributos de uma personalidade ― tal como Hobbes ― que inclui o atributo da vontade. Segundo Rousseau, a sociedade civil não é (ou não deve ser) um conjunto de indivíduos organizados, mas antes uma pessoa colectiva. Se lermos Locke e principalmente Edmund Burke, vemos a antítese política de Rousseau.

Segundo Rousseau, o que interfere com a expressão da “vontade geral” é a existência de “associações subordinadas” ― ou seja, comunidades da sociedade civil ― dentro do Estado. Segundo Rousseau, cada uma delas quer ter a sua vontade geral, que pode ser oposta à da comunidade como todo. Escreve Rousseau que “pode dizer-se não que há tantos pareceres como homens, mas tantos como associações. (…) É portanto essencial, se a vontade geral pode exprimir-se, que não haja sociedades parciais dentro do Estado, e cada cidadão pense apenas por si; tal é o sublime e único sistema estabelecido pelo grande Licurgo”. Decorre das ideias de Rousseau que, segundo ele e por exemplo, o movimento “Democracia Directa” deveria ser impedido de existir como comunidade da sociedade civil, e que todos os cidadãos deveriam entrar em diálogo directo com o Estado sem nenhuma intermediação comunitária ou associativista.
As consequência práticas ― e se levadas até ao limite delas ― das ideias de Rousseau são as de que o Estado teria que proibir as igrejas ― excepto a igreja do Estado, que no caso português é cada vez mais a Maçonaria ―, proibir partidos políticos, sindicatos e todas as organizações de homens com interesses económicos e/ou políticos semelhantes. O resultado seria obviamente o Estado corporativista e/ou totalitário, em que o cidadão nada pode, isto é, em nome do diálogo directo entre o cidadão, entendido como indivíduo isolado, e o Estado, Rousseau condena assim o cidadão à subordinação impotente inerente ao anonimato total.

O conceito de democracia, segundo Rousseau, tem além do mais, uma outra particularidade: ele baseia-se na democracia da cidade-estado grega, e particularmente na democracia de Esparta em antagonismo com a democracia de Atenas. Porém, Rousseau diz que a democracia directa é de realização impossível porque o povo não pode estar sempre reunido para deliberar sobre os negócios públicos. Escreve Rousseau: “Se o povo fosse composto por deuses, o governo seria democrático. O governo perfeito não é para os homens”. Em consequência, aquilo a que os verdadeiros democratas chamam de “democracia”, Rousseau e os seus herdeiros ideológicos, chamam de “aristocracia electiva”, que ele diz ser o melhor governo mas que não é possível em todos os países: o clima não deve ser nem muito quente nem muito frio; a produção não deve exceder muito o necessário porque senão o demónio do luxo é inevitável; e o melhor é confinar a “aristocracia electiva” ao controlo de uma elite política, do que difundir a democracia na população. Com tais limitações estabelecida por Rousseau para aquilo que ele entende por democracia, há largo campo aberto a um governo despótico.

O Contrato Social foi a bíblia da maioria dos chefes da Revolução Francesa ― incluindo Robespierre que era amigo íntimo de Rousseau ―, mas como é a sorte das bíblias, não foi bem lido e ainda menos compreendido por muitos discípulos: a sua teoria da “vontade geral” tornou possível a identificação mística do chefe com o povo, o que levou ao caudilhismo que não precisa de ser confirmado por coisa tão mundana como a urna de voto. Hegel seguiu Rousseau para formatar a autocracia prussiana que levou à primeira grande guerra. Robespierre reinou segundo os princípios de Rousseau, e segundo este foram também formatados os princípios de afirmação política dos jacobinos. As ditaduras russas e alemã do século passado ― principalmente a última ― foram um rebento de ensino de Rousseau. Quando ouvimos José Sócrates ou Francisco Louçã, prevemos em Portugal os triunfos que o futuro reserva ao seu fantasma.

Marasmados

Friday, June 26th, 2009

“A política converteu-se numa vasta associação de intriga, em que os sócios combinam dividir-se em diversos grupos, cuja missão é impelirem-se e repelirem-se sucessivamente uns aos outros, até que a cada um deles chegue o mais frequentemente que for possível a vez de entrar e sair do governo. Nos pequenos períodos que decorrem entre a chegada e a partida de cada ministério o grupo respectivo renova-se, depondo alguns dos seus membros nos cargos públicos que vagaram e recrutando novos adeptos candidatos aos lugares que vierem a vagar. É este trabalho de assimilação e desassimilação dos partidos, que constitui a vida orgânica do que se chama a politica portuguesa.
(…)
A opinião pública, marasmada pela indiferença, desabitua-se de pensar e perde o justo critério por que se julgam os homens e os factos.”

Ramalho Ortigão, “As Farpas”, 15 de Setembro de 1877

A democracia de “faz de conta”

Saturday, May 30th, 2009

“O meu ideal político é a democracia. Que todos os Homens sejam respeitados como indivíduos e nenhum seja idolatrado.”

― Albert Einstein

O movimento Democracia Directa, sendo apartidário, não é apolítico. O que une os aderentes do movimento não são os partidos políticos com que eventual e legitimamente simpatizam ou militam, mas a Razão entendida como o próprio ser humano ― e a sua faculdade superior de combinar juízos ― que comanda a linguagem, o pensamento, o conhecimento, a ética e a moral. A Razão pressupõe a faculdade de julgar, e por inerência, a necessidade do juízo crítico.

Acontece que o nosso sistema político é irracional, e portanto não pode servir a sociedade como um conjunto de seres humanos. Em vez de uma democracia temos uma oligarquia.

As eleições são a forma de legitimação de uma fraude que coloca em causa a própria democracia. Alguém sabe qual é o deputado do seu círculo eleitoral, a quem pedir contas pelo seu voto? Duvido que alguém saiba em que pessoa votou para representar o seu círculo eleitoral no Parlamento. As listas eleitorais são elaboradas de modo a acomodar os membros da oligarquia política de acordo com as conveniências elitistas e herméticas de cada um dos partidos políticos.

A necessária reforma do sistema político que permita aproximar o eleitor do eleito é essencial para o fortalecimento da nossa democracia.

A MENOS QUE…

Monday, May 11th, 2009

Hoje em dia o cidadão Português tem razões de sobra para estar desiludido, pois claro.

Ao seu redor só avista miséria, devastação e desolação.

Milhões de concidadãos na pobreza, assaltos em avalanche, insegurança crónica, falência de autoridade civil e militar, corrupção generalizada, desencanto político, desconfiança nacional, desrespeito pelos símbolos, desconfiança nos serviços e organismos, lassidão e lentidão da justiça, déficit de cidadania, respeito social nulo, educação e civismo em grau zero, ausência de pedagogia pública, ensino degradado, forças armadas obsoletas, filas de espera na saúde, assassinato dum primeiro-ministro sem pronúncia judicial, soldados que ascendem ao corolário da necrologia tombando longe do torrão natal em defesa de interesses obscuros, absentismo crónico e estrutural, déficit de confiança individual e colectiva, ostentação do recorde europeu da pobreza…

Enfim todos os males e azares uniram-se para, ao mesmo tempo, atacar aquela que é quiçá a mais velha nação autónoma e humanista.

A cada dia que passa fica mais distante e resta mais ofuscada a imagem daquela Velha Nação de feitos universais.

O Fornicador de Nações, que David Nasser crismou quando se refere a Portugal, atingiu a menopausa.

Vendo bem, Portugal hoje mais se parece com um velho indefeso a definhar sob o jugo triturador das seitas secretas: Bilderberg, Maçonaria, Partidos Políticos, e outras Oligarquias institucionais e subjuga-se ao sabor e arbítrio de interesses ocultos, não legitimados e jamais escrutinados.

A implosão será inevitável, a menos que…

A consciência Lusitana dormente que ainda existe dentro de cada um de nós acorde.

E, talvez baste um click para a fazer acordar.

O Movimento para a Democracia Directa (DD) é hoje, apesar de ser um nubente ainda, uma realidade irreversível e propõe-te um convite, um desafio.

Para o aceitares basta soletrares uma palavra: BASTAAAAAA.

A equação é simples, se (ainda) acreditas nos profissionais da mentira e aceitas colocar o teus destino nas mãos dos operacionais da alienação então esquece estas palavras, porém e se pelo contrário queres tomar nas tuas próprias mãos as rédeas do futuro e gerires o teu destino, assim como o dos teus filhos, então convido-te a participar, a aderir, com total liberdade, com absoluta transparência, sem clausulados de interesse ou corporação a este espectacular movimento de cidadania.

Eis o desafio.

A palavra agora é Tua.

Por Portugal, Pela Gloriosa História Lusitana e especialmente por NÓS Portugueses que se orgulham de continuar a sê-lo…