A afirmação do senso-comum
Wednesday, January 20th, 2010
O amigo F Barros escreveu “O Colete de Forças” e embora eu esteja de todo acordo com ele, também reconheço que a mudança a que ele se refere é de uma complexidade extrema. E, paradoxalmente, é complexa porque é simples: trata-se apenas de restaurar o senso-comum na política como em todas as áreas. É preciso convencer as pessoas do valor do senso-comum e da objectividade empírica da nossa realidade. A nossa liberdade de expressão não tira o pão ao trabalhador mas tira o sono ao tirano.
De nada adiantam as revoluções, mesmo no sentido a que o F Barros se referiu, se o cidadão comum não for o dono e senhor da sua realidade e partilhá-la livremente em comunidade. O que se passa hoje é que a elite, do alto do seu palanque, diz ao cidadão qual deve ser a sua [deste] realidade e impõe o estereotipo da realidade racionalizado por ela [pela elite] ― não só nas “engenharias sociais” [que são uma forma reconvertida, travestida e mais sofisticada da velha opressão ideológica marxista sobre o indivíduo] como em praticamente todas as áreas da actividade da sociedade.
Depois da queda do formidável Estado marxista e opressor, temos desta vez a ameaça crescente do Estado-providência que, através da infantilização do cidadão e da sua irresponsabilização, trabalha para um novo tipo de opressão estatista ainda mais sofisticado através da criação de dependências múltiplas em relação ao super-estado e a vários níveis, sejam elas psicológicas, económicas, culturais, ou outras.
À medida em que o cidadão se vai deixando cair na rede das múltiplas dependências de um Estado que cresce em poder [seja o nosso, seja o de Bruxelas], vai paulatinamente perdendo a sua liberdade.
A maior ameaça ao crescimento desse super-estado que pretende infantilizar e desresponsabilizar o cidadão para lhe tomar a liberdade, tendo como objectivo transformá-lo numa marioneta, é a afirmação pública e permanente do senso-comum inerente à realidade e à experiência humanas por parte de cada cidadão, e compartilhar essas experiências e realidades individuais com toda a comunidade. E é isto que é a democracia directa: a liberdade que não prejudica o operário mas incomoda os novos aprendizes de ditador.
